Crítica: Aquaman 2: O Reino Perdido serve um prato com falta de complementos

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O filme que trás um vilão à altura do Aquaman, poderia ter sido mais aproveitado. Confira a crítica

Autor Gabriel Barbosa
Gabriel Barbosa

Publicado em 23 de Dezembro de 2023, às 08h33

Jasom Momoa como Arthur CurryFoto: Divulgação

Aquaman 2: O Reino Perdido emerge como uma experiência cinematográfica que, embora mantenha a essência de seu antecessor, deixa o espectador com um gosto ambivalente.

Estrelado por Jason Momoa no papel principal, o filme explora novas profundezas do oceano e reintroduz personagens familiares, mas deixa um sabor de incompletude, como se fosse um prato sem alguns complementos.

No enredo, somos levados às águas como Rei de Atlântida, acompanhando Jason Momoa em um papel que agora o coloca no trono. A trama envolve a reintrodução de personagens, incluindo o irmão do herói, e a introdução do desafiador Arraia Negra, que se une a uma força oculta.

O vilão poderia ser o grande clímax do filme, mas parece que um dos focos foram assuntos familiares e a situação climática, o que não deixa de ser importante, mas não foi o suficiente para suprir a nossa saciedade.

Embora tenha potencial para ser um antagonista formidável, algo essencial parece faltar em sua construção. A promessa de um tom mais sombrio, sugerido nos trailers, não se concretiza completamente, já que um segundo enredo se sobrepõe.

Apesar das oscilações narrativas, os efeitos especiais continuam sendo um ponto alto do filme. Detalhes minuciosos, cores vivas e fluorescentes mantêm os olhos do espectador presos à tela. A trama, por sua vez, transita entre momentos de humor e seriedade, proporcionando risadas em alguns momentos, mas nem sempre atingindo o equilíbrio desejado.

A produção de ‘Aquaman 2: O Reino Perdido’ aconteceu em meio às mudanças de gerência na Warner/DC, refletindo-se na abordagem do filme. A introdução inicial, interrompendo uma cena de ação para uma explicação didática de Jason Momoa, evidencia uma preocupação em reintroduzir elementos e personagens para um público talvez saturado pelo gênero de super-heróis.

A mudança de foco para temas familiares e o desafio de Arthur Curry em lidar com suas responsabilidades como pai e líder de Atlântida é discutida. No entanto, essa mudança pode ter resultado na interpretação de Momoa como um “bom moço” deslocado, sem o mesmo impacto que seu personagem anteriormente transmitia.

A ironia presente em “Aquaman 2” é percebida como controlada pelo comitê de produção, optando por autorreferências conscientes, mas sem se aventurar em uma nostalgia sentimental mais profunda. A escolha de elementos seguros, buscando inspiração em franquias lucrativas, é evidente, mas há uma falta de ousadia em comparação com outros filmes do gênero.

“Aquaman 2: O Reino Perdido” navega por águas cinematográficas turbulentas, oferecendo uma mistura de elementos visuais deslumbrantes e desafios narrativos.

Enquanto a produção busca se posicionar em um mercado dominado pelo MCU, suas oscilações entre sentimentalismo e autoironia, juntamente com escolhas seguras, resultam em um filme que, embora mantenha o sabor característico da franquia, deixa a sensação de que alguns ingredientes cruciais foram deixados de lado.

O mérito do diretor James Wan é reconhecido, mas em meio às mudanças, “Aquaman 2” poderia ter navegado por mares mais ousados.

Em resumo, diria que o filme é bom, mas é inegável que ao sair dos cinemas você sairá com a sensação de que falta algo.

Além disso, ainda falta elementos do próprio Aquaman que poderiam ter sido mais explorados ao longo do filme. Como por exemplo, seus demais poderes, além de super velocidade na água e força.