Greve dos roteirista | Entenda os motivos por trás da paralização dos profissionais  

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Em greve, os roteiristas pedem por ajuste salariai e regulamentação do uso de IA

Autor Rita Caló
Rita Caló

Publicado em 26 de Maio de 2023, às 16h41

Roteiristas lutam por direitos trabalhistasRoteiristas seguem em greve desde o dia 2 de maio | Foto: Michael M. Santiago/Getty Imagens

Após 15 anos desde a última greve, Hollywood se vê novamente em paralização. A mobilização que teve início no dia 2 de maio, se estende até o momento, e diversas produções já estão sendo afetadas. Entenda os motivos por trás das reinvindicações da Writers Guild of America (WGA) e quais suas exigências. 

Oque é a Writers Guild of America (WGA)?

A WGA é basicamente o sindicato dos roteiristas, a qual a maioria dos profissionais pertence, segundo dados ela representa cerca de 11,5 mil associados. Com o início da greve, é ela quem negocia e monitora os manifestantes. 

Com a situação atual, os roteiristas que continuarem trabalhando, mesmo aqueles que não fazem parte da guilda, entram para uma espécie de lista, onde nunca poderão se associar ou reivindicarem direitos trabalhistas pela organização. Isso acontece muito, já que muitos profissionais autônomos são assinados para suprir a falta dos que estão em paralização.  

Como a greve te início? 

Durante todo o mês de abril, a WGA estava em negociação com a Aliança de Produtores de Cinema e Televisão, que representa grandes empresas do ramo como a Walt Disney, CBS, Viacom, Time Warner Inc., Comcast Corp e Twenty Fist Century Fox Inc. Várias questões foram debatidas e nenhuma conclusão ou acordo foi fechado, assim, no dia 17 de abril 98% dos 9 mil roteirista votantes aprovaram a paralização. 

Quais as reinvindicações dos roteiristas?

Após osstreamingsse tornarem uma das maiores mídias do entretenimento, os roteiristas se viram estagnados em relação a sua remuneração. Entre suas principais reinvindicações está o aumento do salário e o ajuste dos ganhos residuais.

Os residuais nada mais são do que a remuneração que os profissionais recebem em cima dos lucros gerados pelas transmissões das produções, porém atualmente não se tem controle desse número, já que os episódios podem ser vistos diversas vezes nas plataformas.  

Baseado nisso eles pedem aumento do salário e também contratos de trabalho com períodos maiores e um número estabelecido de roteiristas para cada produção, já as séries estão cada vez mais curtas. De acordo com a WGA a média salarial caiu 4% na última década, e se levar em conta a inflação, esse valor sobe para 20%.  

Outro ponto é a regulamentação do uso de inteligência artificial, que produz conteúdos de maneira espontânea, baseada em materiais já feitos. Com isso eles buscam garantir o envolvimento humano na produção de roteiros e o futuro da profissão no mercado. 

Qual o impacto da paralização?

A última greve dos roteiristas ocorreu entre 2007 e 2008, e durou cerca de 100 dias, e estima-se que o prejuízo tenha sido de RS$ 2,1 bilhões. Inicialmente as emissoras começam a reprisar programas e aumentar o número de reality shows, porém, ao longo da paralização diversas séries foram prejudicadas, tanto na questão de atrasos quanto enredos deixados pela metade. Foi o caso da série de sucesso Lost, que teve toda sua trama afetada. 

No momento já temos um grande número de produções afetadas pela paralização, desde Talk Shows, séries e filmes. O exemplo mais recente é Thunderbolts, projeto da Marvel Studios, que teve suas gravações adiadas por tempo indeterminado. 

Por enquanto não temos sinal de concessão de nenhum dos lados, e a paralização segue, com o apoio não só dos roteiristas como de diversas pessoas do meio.