Beast of Reincarnation (PS5): vale a pena?

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Beast of Reincarnation leva a Game Freak a um Japão pós-apocalíptico em uma aventura protagonizada por Emma e Koo.

Autor Jean Azevedo Koreiajr
Jean Azevedo Koreiajr
beast of reincarnation(Fonte: GameFreak)

Conhecida pelos jogos de Pokémon, a Game Freak agora aposta em um RPG de ação distante da franquia que a consagrou. Beast of Reincarnation apresenta um Japão pós-apocalíptico, uma protagonista marcada pela ameaça que deveria combater e um cachorro que participa da história e das batalhas.

Jogamos Beast of Reincarnation no PS5. A aventura usa a relação entre os personagens e um combate híbrido para mostrar como a Game Freak trabalhou fora de sua propriedade mais famosa.

O Japão de Beast of Reincarnation

A história acontece no ano de 4026, quando a Pestilência transformou a paisagem japonesa e deixou poucas regiões habitáveis. Essa corrupção atinge humanos, animais e o próprio ambiente, criando criaturas conhecidas como Bestas Profanas. Os sobreviventes tentam manter suas colônias enquanto convivem com novas ameaças.

Beast of Reincarnation (Emma no primeiro Capítulo)
(FONTE: GeekShip/KoreiaJr)

Emma nasceu tocada pela Pestilência e teve o corpo fundido com plantas. Seus cabelos se transformaram em vinhas, usadas para atravessar obstáculos e atacar inimigos. Por causa dessa condição, ela cresceu afastada de outras pessoas, sem memórias e com dificuldade para compreender os próprios sentimentos.

Como Pacificadora, Emma consegue absorver a Pestilência das criaturas derrotadas. Sua missão envolve caçar os Nushi, Bestas Profanas que dominam diferentes regiões, tomar suas habilidades e reunir força contra a Besta da Reencarnação.

Beast of Reincarnation Emma e Ko na floresta
(FONTE: GeekShip/KoreiaJr)

Ko também é uma Besta Profana e, pelas regras daquele mundo, deveria ser um alvo de Emma. O encontro dos dois inicia a campanha e coloca seres considerados perigosos pela humanidade como uma possível salvação. E para melhorar, nem mesmo os Golens aceitam a dupla como seres com vontade própria. São pestilentos que caçam pestilentos, sem sentimentos. Mas será mesmo?

Beast of Reincarnation (FONTE: GeekShip/KoreiaJr)
(FONTE: GeekShip/KoreiaJr)

Emma e Ko sustentam uma história interessante

A relação entre Emma e Ko dá personalidade à narrativa. O cachorro acompanha a exploração, participa dos confrontos e ajuda na descoberta daquele universo. Outros personagens entram na jornada e ampliam as perguntas relacionadas à Pestilência, ao passado de Emma e ao destino da humanidade.

Beast of Reincarnation
(FONTE: GeekShip/KoreiaJr)

A história foi um dos elementos que mais nos interessaram em Beast of Reincarnation. O jogo levanta mistérios suficientes para incentivar o avanço e usa a condição de Emma para abordar sentimentos que ela ainda tenta entender. Sem entrar em spoilers, a campanha reserva boas respostas para quem acompanha seus diálogos e documentos.

O vínculo com Ko impede que Emma atravesse esse futuro apenas como uma guerreira atrás do próximo monstro. A parceria tem função emocional e encontra espaço no gameplay, algo importante para um RPG apresentado como uma aventura de “uma pessoa e um cachorro”.

Gameplay coloca a dupla para trabalhar

Emma assume o controle direto das batalhas com sua espada, dispositivos de ataque à distância e itens. Os confrontos deixam claro: esse não é um RPG para quem não curte desafios, afinal, as mecânicas valorizam aparos no momento certo, ataques que quebram a postura dos adversários e a leitura dos movimentos inimigos. A esquiva completa a defesa diante de golpes que não podem ser bloqueados.

Ko é uma IA até bem responsiva, mas em momentos-chave, atua por comandos. Cada aparo bem executado fornece pontos para ativar suas técnicas e, ao pressionar o Triângulo, o tempo desacelera enquanto o jogador escolhe a próxima ação. Essa pausa permite analisar o campo e encaixar habilidades sem abandonar o combate em tempo real.

O ciclo funciona bem e deixa as lutas divertidas. Alternar a espada de Emma com os poderes de Ko cria uma parceria que quebra isso de personagem controlado pela inteligência artificial. O cachorro participa das decisões, explora as fraquezas dos inimigos e abre novas possibilidades ofensivas.

A criatividade esperada de um projeto da Game Freak aparece nesse sistema. A mistura de ação com comandos combina duas formas de jogar sem tornar uma delas descartável. E depois de 40 horas no Beast of Reincarnation, a fórmula diverte, mas não é das mais perfeitas, infelizmente.

Beast of Reincarnation
(FONTE: GeekShip/KoreiaJr)

Onde Beast of Reincarnation deixa a desejar

O principal problema do gameplay (e do jogo no geral) está na resposta de alguns comandos. As esquivas nem sempre acontecem com a agilidade esperada, mesmo quando o botão é pressionado no momento certo. Como as batalhas dependem de precisão e os Nushis nem sempre são do tamanho de Emma, qualquer atraso interfere na leitura dos ataques e pode transformar uma decisão correta em dano – e o jogo sabe te punir quando você não domina uma mecânica.

Enquanto o gameplay pode te deixar “nervoso” em determinadas partes, a história também demora para reunir toda a força prometida pela premissa. Os primeiros capítulos apresentam o mundo e acumulam perguntas, mas a narrativa só se consolida depois da metade. A partir desse ponto, os acontecimentos encontram um ritmo melhor e as revelações tornam a jornada mais envolvente. O resultado compensa a paciência exigida no começo, mas isso pode acabar fazendo as pessoas não se interessarem pelo desenrolar da trama.

E para fechar, a maior decepção de nossa análise: desempenho. Graficamente, Beast of Reincarnation transmite a sensação de um projeto sem a última etapa de refinamento. A ideia de um Japão tomado por plantas, ruínas e criaturas corrompidas funciona. No PS5, a apresentação não sustenta o mesmo impacto durante a campanha e deixa uma aparência de obra inacabada.

Essa impressão pesa porque o conceito visual oferece material para ambientes marcantes. A ideia e a imersão são excelentes, mas a execução parece, desculpa a palavra, muito preguiçosa diante da escala pretendida. Faltou cuidado para transformar a ambientação em um destaque constante.

A criatividade segue o mesmo caminho e é prejudicada pelos elementos acima. A Game Freak acertou muito na dupla e no combate híbrido, mas não mantém esse nível no restante da experiência. Beast of Reincarnation entrega parte da inventividade esperada e deixa outra parte presa na falta de polimento.

Beast of Reincarnation é nota 70.

Beast of Reincarnation apresenta uma história interessante, um ciclo de combate divertido e uma dupla capaz de sustentar a aventura. A campanha cresce depois da metade e recompensa quem acompanha os mistérios de Emma e Ko.

Beast of Reincarnation (
(FONTE: GeekShip/KoreiaJr)

Os comandos pouco responsivos e o acabamento visual impedem que o jogo alcance suas melhores ideias. A nova propriedade da Game Freak merece atenção por mostrar caminhos que o estúdio pode explorar novamente num futuro próximo. Com mais tempo de desenvolvimento, essa jornada poderia ter deixado uma impressão muito mais forte no PS5. Os devs prometeram melhorias, mas por agora, vale esperar uma promoção.

Vantagens

  • História interessante, com boas revelações na segunda metade
  • Relação entre Emma e Ko sustenta a narrativa
  • Combate híbrido entre ação e comandos tem personalidade
  • Ciclo de gameplay permanece divertido durante a campanha

Desvantagens

  • Narrativa demora para consolidar seus principais elementos;
  • Esquivas e demais comandos nem sempre respondem com a precisão necessária, e por ser um jogo “punitivo” quando não se executa uma mecânica, o jogador é prejudicado;
  • Apresentação gráfica transmite uma sensação de projeto inacabado;
  • Boas ideias perdem força pela falta de polimento;