Fortnite vira plataforma de negócios e antecipa o metaverso na prática
Ecossistema UGC do Fortnite amadureceu como modelo de negócios
Publicado em 23 de Fevereiro de 2026, às 10h58
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Nos últimos meses, o debate sobre metaverso voltou ao centro das discussões em tecnologia, comunicação e entretenimento. Relatórios analisam infraestrutura, imersão e novas economias digitais. No entanto, parte desse modelo já funciona na prática dentro de Fortnite, que opera como plataforma ativa de criação e monetização.
A Epic Games transformou o título em um ecossistema que vai além do jogo tradicional. Com o avanço do UEFN e do conteúdo gerado por usuários, estúdios independentes passaram a testar formatos, ajustar estratégias de monetização e lançar experiências com distribuição global quase imediata.
Nesse cenário surge a colaboração entre a Dojo Maps e a Prosimetrum, cofundada por Jacob Navok e Matthew Ball. Navok é executivo ligado a Final Fantasy VII, vencedor do Emmy e CEO da GENVID. Ball é autor de The Metaverse e referência em economia virtual.
“Eu buscava especificamente um estúdio que desenvolvesse jogos reais no UEFN, e não apenas experiências promocionais focadas em marca. Existem muitas empresas que se posicionam como construtoras de marca, mas entregam pouco engajamento ou resultado real. A Dojo Maps se destacou por ser um estúdio verdadeiramente gamer, com o gameplay como parte central da sua cultura.” — Jacob Navok
A declaração evidencia uma divisão clara no mercado: presença simbólica em plataformas digitais não equivale a operação real de produto. Nos últimos três anos, a Dojo Maps acumulou mais de 620 mil jogadores mensais, ultrapassou 30 milhões de partidas e publicou mais de 50 experiências dentro do Fortnite.
Entre os destaques estão The Sound of Fear, com mais de dois milhões de jogadores e selecionado para o 52º Festival de Cinema de Gramado, e E-Copa Super Race, jogo oficial de Fortnite da E-Copa 2025. Os números reforçam a consolidação do estúdio no ecossistema UGC.
Para Matthew Ball, o estágio atual da plataforma é estratégico. “O grande diferencial do Fortnite e do UEFN em 2026 é a capacidade de iterar rapidamente em gameplay, recursos sociais e modelos de negócio, com acesso direto a toda a base de usuários da plataforma.” — Matthew Ball
Essa capacidade de iteração encurta ciclos de teste, validação e escala. O modelo reduz barreiras de distribuição e permite ajustes contínuos, algo que no desenvolvimento tradicional costuma exigir anos e altos investimentos.
O exemplo mais recente é Shark Snatch, experiência de estratégia e gestão já disponível pelo código 6671-8209-3592. Mais do que um lançamento isolado, o projeto funciona como prova prática de como estúdios independentes estruturam produtos com lógica própria de retenção e monetização dentro do Fortnite.
Para a Dojo Maps, o movimento também reposiciona o Brasil nesse mercado. “Essa colaboração valida nossa cultura de trabalhar de gamers para gamers. O foco sempre foi criar experiências com profundidade de gameplay e retenção real, não apenas presença superficial dentro da plataforma.” — Virti, porta-voz da Dojo Maps
Enquanto parte do mercado ainda discute o metaverso como projeção, o Fortnite já opera como ambiente consolidado de criação e receita digital. A colaboração entre executivos globais e um estúdio brasileiro indica que esse modelo não está mais em fase conceitual, mas em execução contínua.