Assassin’s Creed Black Flag Resynced: vale a pena?

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Retorno de Edward mostra o quão errados estávamos sobre a saturação do tema “piratas” no entretenimento

Jean Azevedo Koreiajr
Assassin's Creed Black Flag Resynced Review PS5 Nota 90(Fonte: GeekShip)

A indústria do entretenimento e dos games tem grandes momentos onde determinados nichos acabam ficando em evidência. Days Gone foi sobre zumbis em uma época onde The Walking Dead era altamente relevante. Em seguida, vimos o espaço aparecendo através de Interestelar e uma espera sem fim por Starfield, e ainda vimos muitos jogos de terror “nas estrelas”. Mais recentemente, foi a vez de Ghost of Yotei e Assassin’s Creed Shadows trazerem o Japão. Enquanto isso, One Piece mostrava que pirataria não era só hype. A Ubisoft até tentou com Skull and Bones, mas o povo pedia por Edward Kenway, e ele voltou em Assassin’s Creed Black Flag Resynced.

Testamos o jogo de forma antecipada no PS5 (obrigado, Ubi) e uma coisa ficou clara: nenhum tema está fora de época, você só precisa fazer algo capaz de entregar uma aventura completa, fechadinha e com o carinho devido. Black Flag já tinha fãs, era muito pedido pela comunidade, e este que vos escreve, estava louco para saber o motivo de tanta gente sonhar com esse retorno. Após mais de 60 horas no mar com a tripulação do Gralha e a brisa do mar no rosto, a razão ficou claríssima.

Cantai, Gralha!

Entrar em Assassin’s Creed Black Flag Resynced é bem diferente dos outros jogos da saga. Eu não sou o cidadão honrado capaz de defender essa linhagem de assassinos e tudo mais. Aqui, a abordagem é através de um bêbado pirata, com muita inteligência e vontade de ter reales aos montes, capaz de derrotar um assassino, roubar suas roupas e sua missão, e partir no maior #descubra já visto.

Edward Kenway entra na história pelo pior motivo possível: dinheiro. Ele não entende a guerra entre Assassinos e Templários, trata qualquer segredo como mercadoria e enxerga na roupa roubada uma chance de voltar para casa com o bolso cheio.

(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

A mentira leva Edward até Havana, onde os Templários procuram o Observatório, uma tecnologia antiga capaz de vigiar qualquer pessoa a partir de uma amostra de sangue. Para homens como Laureano Torres e Woodes Rogers, esse poder serviria para organizar o mundo conforme seus próprios interesses. Para Edward, naquele momento, a descoberta parece só mais uma oportunidade de vender informação para quem pagar melhor.

A jornada dele pelo Caribe nasce desse “salto de fé” — ou de irresponsabilidade, improviso, chama do que quiser, mas dá certo. Cada pista sobre o Observatório vira moeda de troca e isso gera muitos encontros com os Assassinos, depois cada aproximação com os Templários vira risco. Edward atravessa essa disputa como alguém que acredita estar usando todos ao redor, sem perceber que também virou peça de um jogo maior. E ele gosta de estar nesse holofote, mesmo aprendendo boas lições com seus companheiros.

A pirataria dá ao jogo uma energia muito diferente dentro da franquia. O Gralha não funciona apenas como transporte, ele vira a casa de Edward, o símbolo da liberdade que ele tanto persegue e o lugar onde a ambição dele ganha forma, inclusive, com uma tripulação que dá muito gosto de ver crescer. Seja cantando, saqueando, contratando mais piratas, aqui Assassin’s Creed Black Flag é incrível. Saquear navios, melhorar a tripulação e dominar rotas cria a sensação de que o protagonista está construindo um império próprio, mesmo que esse império dependa de violência, instabilidade e gente disposta a trair na primeira chance. E isso é muito bom!

(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

Por esse lado, Nassau representa bem essa ilusão. A cidade surge como promessa de vida livre, longe de reis, marinhas e autoridades, mas a república pirata desmorona aos poucos por dentro. A liberdade defendida por aqueles homens não sustenta um projeto de futuro, porque quase todos ali querem mandar sem aceitar responsabilidade. Edward demora para enxergar isso, já que a bagunça do Caribe combina demais com a fome que ele carrega. Mas chega de falar da história, essa alguns já conhecem e passar disso já é dar spoiler para os novatos. Vamos para o gameplay porque tem muita coisa nova!

Mudou tudo o que precisava mudar, e mudou certo! 

Assassin’s Creed Black Flag Resynced atualiza o combate com aparos perfeitos que abrem incapacitações em sequência, ou takedowns. Ao defender no tempo certo, Edward consegue emendar finalizações fatais contra inimigos próximos.

Essa mudança conversa com os novos golpes pesados, que funcionam como finalizadores de combo para rapieira, cutlass e espada-pistola. A área de acerto ficou maior, então Edward consegue atingir mais inimigos durante confrontos contra grupos. A espada-pistola, além disso, permite dois disparos durante o golpe pesado, concentrando dano em um alvo.

A lâmina oculta também ganhou uma finalização própria no combate direto. Com Hidden Blade Takedown, ou assassinato com a lâmina oculta, Edward quebra a defesa do inimigo e aplica uma facada fatal depois que o equipamento é desbloqueado.

Chute e rasteira entram como novas formas de abrir execução. O chute joga inimigos contra paredes, enquanto a rasteira derruba adversários no chão, deixando ambos vulneráveis para incapacitar.

O combate ainda recebe o Demolidor, novo arquétipo de elite armado com bacamarte e granadas. Esse inimigo pressiona à distância e adiciona explosivos à leitura dos confrontos.

A progressão, por sua vez, recebeu vantagens e berloques. Há mais espadas com efeitos especiais e acessórios que modificam atributos de gameplay, ampliando as opções de construção do personagem.

No parkour, o salto manual dá mais controle sobre a movimentação. O jogo também recebeu saltos laterais, salto para trás com ganho de altura e interrupções mais rápidas entre movimentos, o que deixa as transições menos travadas.

Seguindo nas movimentações, agora as tirolesas completam as novidades de travessia. Elas criam rotas mais rápidas em áreas verticais e ampliam as possibilidades de deslocamento durante exploração, fuga e infiltração. 

Isoladas, as mudanças parecem pequenas, mas em conjunto, justificam e muito esse relançamento. Podia ser só pelo sucesso comercial para uma Ubisoft que passou por alguns contratempos referentes a cancelamentos e tudo mais, mas o próximo tópico é outro super justificável: as batalhas navais estão ainda mais épicas.

A batalha naval de Assassin’s Creed Black Flag Resynced é ÉPICA


O combate naval de Assassin’s Creed Black Flag Resynced mantém a estrutura do original e amplia as opções da Gralha durante a batalha. A principal mudança está nos modos secundários das armas, que dão novas funções para canhões laterais, morteiro, tiros de corrente e barris flamejantes.

Os canhões laterais continuam sendo a principal fonte de dano nas trocas próximas. A munição aquecida adiciona rajadas rápidas ao ataque, criando uma opção mais agressiva quando o navio inimigo está alinhado ao lado da Gralha.

(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

O morteiro recebe uma variação com dano em área mais amplo. Em vez de depender apenas do disparo tradicional à distância, o jogador passa a ter uma opção voltada para atingir embarcações em movimento e pressionar grupos de inimigos no mar.

Na proa, os tiros de corrente seguem com a função de afetar a mobilidade dos navios inimigos. O modo secundário adiciona uma rajada frontal mais forte, útil durante perseguições e abordagens em linha reta.

Os barris flamejantes continuam funcionando como arma de popa, usada contra embarcações que vêm atrás da Gralha. A nova variação espalha estilhaços e atinge as velas, o que ajuda a reduzir a velocidade de quem tenta se aproximar.

Os canhões giratórios também foram modernizados. A mira manual, inspirada em Assassin’s Creed Rogue, dá mais controle para acertar pontos vulneráveis dos navios inimigos após uma sequência de dano.

A Gralha ainda recebe habilidades novas para colisão e defesa. A investida com aríete reforça o ataque pela proa, enquanto a defesa perfeita reduz quase todo o dano recebido quando acionada no tempo certo.

No conjunto, o combate naval ganha mais variação sem abandonar a base de Black Flag. A Gralha passa a ter mais recursos para perseguir, frear, danificar, escapar e resistir durante as batalhas em alto-mar.

E o que tem de novo em Assassin’s Creed Black Flag Resynced?

(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

Missões, personagens, conteúdos endgame e gráficos incríveis. Esse pacote será o necessário para convencer muita gente a viver essa aventura novamente. Se você é um daqueles que, como os amigos do autor aqui, insistia para muitos jogarem, agora ficou ainda mais fácil. 

Uns anos atrás a comunidade não era tão positiva quando o assunto eram remakes, mas, ainda bem, Ubi, que você não os escutou. Não vamos mentir em um ponto: há vários pequenos bugs por aí. Esqueceram de avisar para algumas bandeiras que agora elas têm texturas diferentes e físicas inéditas, e os NPCs parecem estar mais rápidos do que deveriam, fazendo ações acontecerem fora de hora.

Tirando isso….

Assassin’s Creed Black Flag Resynced vale a pena e é nota 90!

(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

Pontos positivos:

  • Edward Kenway continua sendo um protagonista carismático e diferente dentro da franquia.
  • A fantasia pirata segue forte, com exploração, saques, tripulação e evolução da Gralha funcionando muito bem.
  • O combate terrestre ficou mais moderno, com novas formas de defender, finalizar e controlar grupos de inimigos.
  • O parkour recebeu ajustes que deixam a movimentação mais solta e menos travada.
  • O combate naval ganhou camadas o suficiente para tornar as batalhas ainda mais épicas.
  • Missões, personagens, endgame e melhorias gráficas reforçam o peso do relançamento.

Pontos negativos:

  • Há pequenos bugs espalhados pelo jogo.