Review: Pragmata (PS5) 

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A Capcom conseguiu criar uma IP apaixonante e com um gameplay capaz de te prender por horas — além de uma narrativa bem fechada e emocionante

Jean Azevedo Koreiajr
Pragmata análise(Fonte: GeekShip)

Alguns jogos têm o poder de conquistar as massas antes mesmo do lançamento. Os jogadores fazem filas para pegar as mídias físicas, ficam acordados até a virada do dia para baixar a versão digital, criam teorias muito antes do lançamento. Com Pragmata, a realidade foi outra. Adiado por diversas vezes, o game pode ter diminuído a empolgação de muitos.

A cada “Sorry” com o rosto da menina robô, com o astronauta pulando em Nova Iorque, parecia ser um projeto que nunca veríamos sair do papel. Bom, a boa notícia é: Hugh e Diana estão entre nós. Uma melhor ainda? Pragmata tem tudo para ser aquele jogo capaz de ser discutido por gerações. Com um gameplay muito bem construído e uma história fácil de ser entendida, a Capcom acertou de novo.

A história de Pragmata

Pragmata nos leva para uma era onde a IA domina diversos processos, tanto na Terra, quanto na Lua, onde os humanos construíram uma impressora 3D gigante capaz de imprimir cidades inteiras. A tecnologia é potente e utiliza um minério encontrado na lua para fazer tudo acontecer. Parece mágica, e você fica encantado logo na primeira cutscene.

Com Hugh e seu pelotão saindo da Terra para ver como as coisas estavam na fábrica lunar da Delphis, uma instalação controlada por uma IA chamada Idus, a história começa a tomar forma. A central não atendia os chamados do nosso planeta, então, um grupo partiu para saber o motivo de não obter retorno.

Acostumados a ajustar os propulsores para lidar com a gravidade diferente da Terra e com uma recepção calorosa, os astronautas acabam lidando com uma base vazia. Os sistemas ainda operantes possibilitam uma breve exploração na base, até acharem parte do problema da falta de comunicação. Os humanos da base sumiram. Muitas passagens estavam bloqueadas por causa de um terremoto lunar.

(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

Como os humanos não têm superpoderes, quem remove os escombros para a equipe são os soldados, impressos com lunafilamento, os responsáveis por abrir o caminho. Mas sabe quando algo parece estar fora de lugar? A IA Idus simplesmente resolve ativar um protocolo para “expulsar” os hóspedes indesejados. Os operadores se tornam hostis e Hugh acaba caindo, severamente machucado.

É aqui que entra a Diana. A Pragmata de última geração, sim o nome do jogo é a espécie de androide criada por lunafilamento, consegue utilizar as tecnologias de restauração da base para selar o traje de Hugh e a dupla protagonista do jogo se encontra. 

Não demora muito e um novo contato com os operadores acontece. Diana prontamente hackeia a armadura dos inimigos, o astronauta cobre eles de tiro. A relação de ambos começa dessa forma e evolui ao longo da jogatina, mas agora que você já entendeu a base da história, vamos falar de gameplay?

A Capcom usou muito bem o DualSense!

O gameplay de Pragmata gira em torno da parceria entre Hugh e Diana, e é justamente essa dinâmica que sustenta toda a experiência. Enquanto Hugh é responsável pelo combate direto, Diana atua como suporte essencial, acessando o sistema dos operadores, os mesmos que antes cuidavam da base, escavações e outros processos.

(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

Ao invadir esses sistemas, Diana consegue abrir a armadura dos inimigos e revelar seus pontos fracos, em uma lógica que lembra bastante a estrutura dos robôs da franquia Horizon. A partir disso, Hugh entra em ação, explorando essas vulnerabilidades para causar mais dano e acelerar os confrontos.

Essa invasão não serve apenas para expor fraquezas. Existem variações que permitem superaquecer os inimigos, deixá-los confusos ou até paralisados, o que adiciona uma camada estratégica importante ao combate. Já Hugh complementa essa mecânica com um arsenal variado, que vai desde armas básicas, como pistola e carabina, até equipamentos mais avançados, incluindo campos energéticos e bombas adesivas.

A progressão acontece em fases lineares, acessadas a partir do Abrigo, o hub central da dupla. É nesse espaço que o jogador utiliza recursos como lumium para liberar upgrades, melhorar equipamentos e montar o loadout antes de cada missão. A partir dali, é possível escolher áreas específicas da estação para explorar e retornar diretamente de checkpoints já desbloqueados.

O ciclo de jogo é simples de entender, mas funciona bem pela variedade de situações. Em um momento, o foco está em puzzles com movimentação usando propulsores; em outro, Diana precisa manipular o ambiente, como mover caixas para permitir a progressão de Hugh. A exploração também apresenta desafios opcionais, como as Salas Vermelhas, que concentram combates intensos e recompensas valiosas.

Ao longo da jornada, o jogador enfrenta diferentes tipos de máquinas, além de subchefes e chefes que exploram bem a sinergia entre os protagonistas. A campanha principal leva entre 12 e 15 horas para ser concluída. Já para quem busca completar tudo, incluindo platina, o tempo total pode chegar a 20 ou 25 horas, dependendo da dificuldade escolhida e da abordagem adotada.

Essa mistura de hackear e atirar fica muito imersiva no PS5 graças ao DualSense. Sentir o processo acontecendo na palma da sua mão é divertido. Isso sem falar no desempenho, que não deixa a desejar em momento algum e foi bem linear durante todo o tempo. Não presenciamos crashes nem bugs, mesmo recebendo a chave no dia do lançamento. Ponto positivo (mais um) para a Capcom.

Diana e Hugh são uma baita dupla

Não apenas no gameplay, a dupla Diana e Hugh carrega o jogo com bastante carisma. Com uma localização totalmente em PT-BR, entendemos a urgência de Hugh em contatar a Terra. Por outro lado, também escutamos de Diana algumas histórias não tão felizes assim. Afinal, ela vai lembrando aos poucos o motivo de ser criada, algo que culmina no plot principal do jogo.

Diana é uma criança, mas não se desenvolverá ou crescerá como um humano — ela explica isso ao Hugh no Abrigo. No entanto, ela se comporta como uma pequenina pessoa curiosa e com sede de aprender. Há diversos momentos muito fofos entre os dois, com Hugh explicando para ela como a vida é na Terra. Obviamente, há uma promessa de, no final de tudo, ele a levar para conhecer nosso planeta.

A interação entre os dois não é forçada. Há o cuidado de Hugh em não cobrar demais de Diana e nem tratá-la como uma simples ferramenta para voltar a falar com seus familiares. Já do lado da Pragmata, há outras questões capazes de fazer o astronauta se mexer por ela também. Eles se ajudam, se completam, e se fortalecem conforme a narrativa prossegue.

Assim como Shadow of the Colossus é considerado um clássico, Pragmata tem tudo para se tornar um também. Ele é excêntrico em alguns momentos? Sim. Mas é simples, coeso e tem um gameplay convidativo para diversas sessões de gameplay. Não encare isso como uma crítica, mas sabe aqueles jogos criativos da era do PS2 e do PS3? O novo título da Capcom está bem ali. E acerta muito!

Pragmata é nota 98!

Emocionante, envolvente e com um ciclo viciante, o game consegue nos envolver rapidamente. Juntando todos esses elementos e com a seriedade sobre diversos temas, o jogo se torna uma compra interessante, mesmo custando R$ 299,90 na PS Store

O único defeito de Pragmata é que sentimos falta de uma arma de curto alcance para Hugh em alguns momentos. No mais, é compra certa para quem tem um PS5, Xbox Series, Nintendo Switch 2 ou PC. 

Pontos positivos

  • O gameplay baseado na dupla Hugh e Diana é o grande destaque. A mecânica de hackear inimigos enquanto atira cria um sistema dinâmico, estratégico e diferente do padrão, mantendo o combate sempre interessante e variado ao longo da campanha.
  • A narrativa é outro ponto forte. A história é fácil de acompanhar, bem fechada e emocional, com temas envolvendo inteligência artificial e humanidade. A relação entre os protagonistas evolui naturalmente e sustenta o envolvimento do jogador até o final.
  • A variedade de situações também ajuda no ritmo. O jogo alterna bem entre combate, puzzles e exploração, evitando repetição. Elementos como as Salas Vermelhas e os chefes reforçam essa diversidade com desafios mais intensos e recompensadores.
  • O desempenho técnico é sólido. Não há registros de bugs ou crashes relevantes, e o uso do DualSense contribui para a imersão, principalmente durante as mecânicas de hackeamento.
  • O ciclo de gameplay é simples, mas viciante. A estrutura com hub, upgrades e missões lineares funciona bem e incentiva o jogador a continuar evoluindo e explorando.

Pontos negativos

  • A ausência de uma arma de curto alcance para Hugh limita o combate em algumas situações, principalmente quando os inimigos se aproximam demais e as armas estão recarregando, o que poderia adicionar ainda mais variedade ao gameplay.