Vitória: a verdadeira história da idosa que inspirou o filme
Fernanda Montenegro deu vida a carioca que denunciou o tráfico no Rio de Janeiro e precisou viver no anonimato
Publicado em 27 de Março de 2025, às 00h15
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O filme Vitória, dirigido por Andrucha Waddington e estrelado por Fernanda Montenegro, é inspirado na história real de uma idosa que ajudou a desmantelar o tráfico de drogas em Copacabana.
O filme narra a jornada de Dona Vitória, uma senhora solitária que, ao ver a crescente violência em sua vizinhança, decide agir. Com uma câmera, ela registra por meses a movimentação de traficantes na região e entrega as imagens à polícia, desencadeando uma investigação de grande impacto.
Mas quem foi a verdadeira mulher por trás dessa história?
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A idosa que inspirou o filme se chamava Joana Zeferino da Paz. Sua história foi revelada em 2005 pelo jornalista Fábio Gusmão, do jornal Extra, sob anonimato para sua segurança.
Alagoana de origem, Joana viveu por 36 anos em um apartamento na Praça Vereador Rocha Leão, com vista para a Ladeira dos Tabajaras, favela na Zona Sul do Rio de Janeiro. De sua janela, testemunhava a ação dos traficantes na boca de fumo local.
No início dos anos 2000, Joana entrou com uma ação judicial contra o estado, alegando que a presença do tráfico desvalorizava seu imóvel. No entanto, um coronel da Polícia Militar negou a existência do tráfico na região. Para provar o contrário, Joana comprou uma câmera e registrou as atividades criminosas.
Seus vídeos expuseram traficantes armados e policiais corruptos, levando à prisão de mais de 30 pessoas. O impacto das imagens a transformou em uma “heroína anônima”, mas também colocou sua vida em risco.
Mudança forçada e vida em anonimato
Diante das ameaças, incluíram Joana no Programa de Proteção a Testemunhas e a transferiram para Salvador, na Bahia. Por segurança, alteraram seu nome para Vitória, mas ela sempre fez questão de manter viva sua identidade real. Em Salvador, ela viveu uma vida discreta, dedicando-se às orações e à pintura, retratando memórias de sua infância em suas telas premiadas.
O Reconhecimento Póstumo
Joana faleceu em 22 de fevereiro de 2023, aos 97 anos, no Hospital Geral do Estado, em Salvador. Sepultaram seu corpo no Cemitério Campo Santo, no bairro da Federação, com uma homenagem especial em seu epitáfio: “Joana Zeferino da Paz, Dona Vitória – a heroína por trás da câmera que ajudou a história de um bairro e marcou o país”.
Mesmo com o nome divulgado após a morte, vizinhos e amigos na Bahia a conheciam como “Jojô” e admiravam sua história. O jornalista Fábio Gusmão, que acompanhou sua jornada, afirmou que Joana viveu anos de privação e resiliência, mas que desejava reconhecimento público por seu feito.
Do Anonimato ao Cinema
O filme Vitória trouxe algumas alterações para proteger sua identidade. O filme retrata a personagem como mineira e escolheu uma atriz branca para interpretá-la. Apesar disso, Joana ficou emocionada ao saber que Fernanda Montenegro a interpretaria nas telonas, pois sempre admirou a atriz.
Vitória chega aos cinemas como um tributo a essa mulher corajosa, cuja história mudou os rumos da segurança em uma das regiões mais icônicas do Rio de Janeiro.
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