Control Resonant: vale a pena?

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Jogamos antecipadamente no PS5 e avaliamos a jornada de Dylan, a progressão e o desempenho na opção de 30 FPS.

Jean Azevedo Koreiajr
CONTROL RESONANT ANALISE(FONTE: Remedy/GeekShip)

Manhattan já deve ter enfrentado praticamente todo tipo de apocalipse nos videogames, mas a Remedy encontrou uma maneira bastante particular de bagunçar a cidade. Em Control Resonant, até decidir onde fica o chão exige alguma atenção. A crise paranatural escapou da Antiga Casa, tomou as ruas e colocou Dylan Faden diante de uma missão que envolve enfrentar criaturas colossais enquanto procura a própria irmã.

Jogamos Control Resonant antecipadamente no PS5, na opção de 30 FPS, e agradecemos à Remedy pelo acesso para produzir esta análise. A experiência permitiu acompanhar como o combate e a progressão se desenvolvem ao longo da aventura, algo que nosso primeiro contato com o jogo ainda deixava em aberto.

Dylan Faden precisa encontrar Jesse e conter o caos

Após anos de confinamento nas mãos do Departamento Federal de Controle, o DFC, Dylan recebe uma tarefa dos próprios responsáveis por mantê-lo preso. Uma entidade cósmica está alterando a realidade, e seus poderes paranaturais representam uma oportunidade de enfrentar a ameaça que tomou Manhattan.

(FONTE: GeekShip/KoreiaJr)

O Ruído continua corrompendo criaturas, enquanto o Mofo também se espalha pela cidade. Existe, porém, uma força ainda maior por trás dessa catástrofe e da criação dos Ressonantes. Com a contenção da Antiga Casa desfeita, o Departamento perdeu a capacidade de manter esses perigos longe do restante do mundo.

Dylan também procura Jesse Faden, sua irmã e diretora do DFC. As falhas espalhadas por Manhattan permitem que os dois estabeleçam uma conexão, aproximando os acontecimentos desta sequência da jornada anterior. Essa ligação ajuda a preservar a continuidade da história enquanto acompanhamos um protagonista que precisa aprender a lidar com seus poderes e com o passado de cobaia.

O melhor combate que a Remedy já entregou

Control Resonant coloca uma arma mutável nas mãos de Dylan e constrói um hack and slash com um tempero de souls. Os confrontos cobram atenção aos padrões dos inimigos, e cada criatura exige uma abordagem adequada. A esquiva e a agressividade precisam trabalhar juntas para que você consiga pressionar sem se expor além da conta.

A Aberrante sustenta boa parte dessa liberdade. Primeiro, escolhemos uma forma primária para os ataques no quadrado. Depois, uma secundária entra em cena pelo triângulo, ampliando as possibilidades das sequências. Mais adiante, as finalizações fazem a arma se transformar novamente no encerramento dos combos, com golpes que dão gosto de encaixar.

As formas da Aberrante e os sistemas de combate que já detalhamos por aqui funcionam muito bem com a mobilidade de Dylan. Habilidades de locomoção que Jesse desenvolvia ao longo do primeiro Control aparecem cedo nesta aventura. Assim, o personagem rapidamente ganha ferramentas para atravessar os cenários e se reposicionar durante as batalhas.

Essa liberdade torna os encontros mais interessantes conforme surgem inimigos que cobram respostas diferentes. Entrar batendo funciona até o momento em que alguém interrompe sua sequência e deixa claro que era melhor ter observado a investida. Quando entendemos essas aberturas, conseguimos manter a pressão e aproveitar muito melhor cada transformação da arma.

Os poderes também permitem combinações empolgantes. Um exemplo aparece quando Dylan entra em chamas e passa a incorporar esse efeito às suas ações, inclusive aos objetos arremessados com telecinese. Somar isso aos ataques da Aberrante produz alguns dos momentos mais satisfatórios do jogo. Em termos de gameplay, consideramos este o melhor trabalho da Remedy até aqui.

Um RPG acessível em uma Manhattan aberta por zonas

Abalo, dominância e queimadura estão entre os efeitos que acrescentam possibilidades ao combate. Há espaço para ajustar o personagem ao nosso estilo, e o sistema apresenta essa profundidade de maneira compreensível. Conforme avançamos, fica mais fácil perceber como as escolhas de habilidades complementam as armas que gostamos de usar.

(FONTE: GeekShip/KoreiaJr)

A progressão também mantém uma relação direta com a exploração. Limpar determinadas zonas e melhorar os atributos de Dylan por meio dos confrontos rende pontos de talentos. Dessa forma, enfrentar as ameaças de Manhattan ajuda a ampliar as opções disponíveis na árvore de habilidades.

Na prática, nossa sensação foi a de explorar um mundo aberto compacto, organizado em zonas e intercalado com fases mais lineares. Essa estrutura permite circular pelas áreas e desenvolver o personagem enquanto reserva percursos específicos para determinados momentos da campanha. Os talentos podem ser redistribuídos, mas essa mudança exige recursos que precisam ser comprados ou coletados.

O começo demora a mostrar o potencial da aventura

Control Resonant exige alguma paciência nas primeiras horas. Mesmo com boas ferramentas de movimentação disponíveis cedo, a evolução do combate demora a transmitir uma sensação mais forte de crescimento. As possibilidades que tornam Dylan tão interessante levam um tempo para se combinar.

Em um contato anterior, foi possível aproveitar três horas distribuídas entre trechos selecionados pela Remedy. A demonstração permitia experimentar uma versão mais desenvolvida do personagem e destacava rapidamente a variedade das batalhas. Na campanha, o caminho até esse ponto tem outro ritmo.

(FONTE: GeekShip/KoreiaJr)

Essa diferença ajuda a explicar por que o jogo completo demora mais para conquistar. As primeiras melhorias não parecem tão expressivas, especialmente quando já sabemos do que Dylan será capaz. Com a chegada de novas combinações e finalizações, a aventura ganha força, mas uma progressão inicial mais recompensadora teria deixado a entrada muito mais convidativa.

A gravidade rende alguns dos melhores momentos

A Manhattan de Control Resonant oferece bastante espaço para a Remedy brincar com a percepção. Prédios e caminhos deixam de obedecer à orientação que esperamos, e as mudanças de gravidade interferem tanto na travessia quanto na leitura dos ambientes.

A habilidade de alternar entre superfícies poderia gerar preocupação sobre como tudo isso funcionaria com o controle nas mãos. Há um nível inteiro dedicado a explorar essa ideia, e o resultado é excelente. A movimentação acompanha as mudanças de orientação de forma natural, enquanto uma bela trilha sonora ajuda a transformar a passagem em um dos grandes momentos da aventura.

Os chefões merecem elogios semelhantes. A escala colossal combina com a estranheza desse universo e dá aos confrontos uma presença que vai além da dificuldade. Enfrentar essas criaturas aproveitando as habilidades de Dylan reforça o quanto a mudança para o combate corpo a corpo beneficiou a sequência.

Gráficos, som e desempenho no PS5

Graficamente, Control Resonant fica abaixo de Alan Wake 2. Ainda assim, é um belo jogo, especialmente quando a direção de arte explora a arquitetura impossível e as distorções de Manhattan. A cidade oferece imagens marcantes, e os ambientes subterrâneos mantêm aquela sensação desconfortável de entrar em um lugar que não deveria existir daquela maneira.

O design de som continua sendo a ferramenta mais poderosa da Remedy para nos envolver nesse universo. A ambientação sonora se encaixa nos espaços e acompanha o que acontece ao redor com um cuidado impressionante. O Sumidouro já demonstrava essa força em nosso primeiro contato, e a imersão permanece entre os maiores atrativos da experiência.

Na opção de 30 FPS do PS5, percebemos pequenas quedas de desempenho em áreas subterrâneas, sobretudo em momentos que antecediam algum acontecimento. São oscilações pontuais, mas perceptíveis durante a exploração.

As batalhas contra chefões, por sua vez, apresentaram ótima estabilidade na nossa experiência. Sentimos algumas travadinhas no confronto com a primeira Ressonante, sem comprometer a jogabilidade. Considerando a escala desses encontros, o desempenho durante as lutas foi um ponto positivo.

Control Resonant: vale a pena?

Control Resonant vale a pena e recebe nota 85/100. O começo pouco convidativo e as oscilações pontuais de desempenho pesam na avaliação, mas a aventura cresce bastante quando suas possibilidades de combate se encontram. A Aberrante, os chefões e o trabalho de som sustentam uma experiência que merece a atenção de quem gosta de ação e da estranheza da Remedy. Com lançamento em 24 de setembro e a edição padrão para PS5 por R$ 230,90 na PlayStation Store brasileira, a viagem de Dylan por Manhattan fica ainda mais atraente.

Pontos positivos

  • Combate variado e satisfatório, o melhor que já jogamos em um título da Remedy.
  • Transformações da Aberrante permitem combinações empolgantes.
  • Sistemas de RPG aprofundam a experiência sem dificultar a compreensão.
  • Chefões colossais e excelentes momentos com mudanças de gravidade.
  • Design de som e direção de arte sustentam uma atmosfera envolvente.

Pontos negativos

  • Primeiras horas pouco convidativas, com evolução que demora a impressionar.
  • Quedas pontuais de desempenho em áreas subterrâneas e pequenas travadas na primeira Ressonante.