Review: Pokémon FireRed (Switch 2)

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O retorno de um dos jogos mais nostálgicos acontece com maestria e muito respeito ao material original

Autor Jean Azevedo Koreiajr
Jean Azevedo Koreiajr
Pokémon FireRed(Fonte: Nintendo)

Pokémon FireRed está de volta. Junto de LeafGreen, o port se tornou uma maneira oficial dos mais nostálgicos conseguirem acessar o game nos consoles recentes da Nintendo. Depois de anos, revisitar o laboratório do Dr. Oak mais uma vez é uma experiência cheia de sentimento. Se há uma palavra que define esse relançamento é respeito ao material original.

Tivemos a chance de jogar o Pokémon FireRed no Nintendo Switch 2 (obrigado, Nintendo!) e aproveitamos cada momento do título. Parecia a primeira vez? Sim. O jogo segue muito semelhante ao do GBA. Para uns isso pode ser algo positivo, para outros, nem tanto.

Pokémon FireRed Version and Pokémon LeafGreen Version on Nintendo Switch

De Pallet para o mundo!

Logo no primeiro momento percebemos que a volta de Pokémon FireRed é um lançamento no estilo “1:1”. São os mesmos menus, mesmas falas, mesmas opções para o início da jornada.

Pokémon FireRed
(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

Em Pallet, você nomeia seu personagem principal e o rival.

Pokémon Fire Red
(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

Faz umas missões aqui e ali, escolhe seu Pokémon (fomos de Squirtle) e pronto. Mochila nas costas e pé na estrada.

Pokémon FireRed
(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

“Temos que pegar!”

Depois de algumas horas explorando Kanto novamente, fica claro que Pokémon FireRed continua sendo um dos capítulos mais sólidos da franquia. A estrutura do jogo permanece extremamente funcional. Cada rota apresenta novos desafios, novos treinadores e aquela curiosidade constante sobre qual Pokémon pode aparecer na próxima área de grama alta.

Essa sensação de descoberta é parte essencial do charme do jogo. Diferente dos títulos mais recentes da série, FireRed exige mais atenção do jogador. Não basta simplesmente avançar batalhando. Em muitos momentos é necessário treinar, pensar nas fraquezas dos tipos e montar uma equipe equilibrada para enfrentar ginásios e líderes mais exigentes.

Pokémon FireRed
(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

“Tenho que correr e conseguirei”

Outro ponto que chama atenção ao revisitar o jogo hoje é a simplicidade da Pokédex original. A presença dos 150 Pokémon clássicos cria uma experiência mais organizada e fácil de acompanhar. Para quem gosta de memorizar tipos, golpes e evoluções, esse escopo menor acaba sendo uma vantagem.

Mesmo assim, FireRed nunca foi um remake simples do primeiro Pokémon. Na época do Game Boy Advance, ele já trazia melhorias importantes na jogabilidade. A barra de experiência, a possibilidade de correr pelo mapa e a presença de tipos como Metal e Sombrio ajudam a deixar o sistema de batalhas mais completo e estratégico.

O conteúdo extra também merece destaque. Após vencer a Elite dos 4, o jogo abre caminho para as Sevii Islands, um conjunto de ilhas que expandem a aventura com novas áreas e treinadores. Esse pós-game adiciona boas horas de exploração e reforça a sensação de que a jornada ainda não terminou.

Claro, há alguns recursos que justificam o relançamento. A Pokémon Home, agora integrada ao sistema do Switch, permite trocar e armazenar seus Pokémon. Há também uma forma de ligar o GBA ao console híbrido da companhia [não testamos essa], mas essa funcionalidade ainda será implementada de maneira mais integral em futuras atualizações, segundo a Nintendo.

Pokémon FireRed de Switch 2 é super fiel ao original, e isso pode ser um problema par alguns

Por outro lado, a versão disponível no Switch 2 mostra que o relançamento foi tratado com bastante cautela — talvez até demais. A adaptação é extremamente fiel ao original, mas isso também significa que quase não existem melhorias técnicas, e muito menos o tão sonhado PT-BR, o que se repetiu em Pokémon Pokopia, infelizmente. Inclusive, jogamos a versão em inglês do título.

O jogo roda basicamente da mesma forma que no Game Boy Advance, até mesmo os itens soltos no mapa “escondidos” seguem por lá. Não há novos filtros visuais, opções de resolução ou elementos gráficos adicionais que aproveitem melhor a tela do console moderno.

Pokémon FireRed
(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

Isso fica ainda mais evidente durante a jogatina. A imagem não ocupa toda a tela do Switch 2, mantendo barras laterais escuras que lembram bastante a proporção do portátil original. Não chega a atrapalhar a experiência, mas reforça a sensação de que estamos diante de uma conversão bastante direta.

Pokémon FireRed
(Fonte: GeekShip/KoreiaJr)

Pokémon FireRed no Switch 2 é um relançamento de destaque: Nota 90!

No fim das contas, Pokémon FireRed continua sendo um jogo extremamente sólido. O relançamento preserva tudo que fez o título se tornar um clássico: exploração simples, batalhas estratégicas e um mundo que ainda consegue despertar curiosidade mesmo depois de tantos anos.

Para quem tem uma ligação emocional com a geração original, voltar para Kanto continua sendo uma viagem muito especial. Já quem espera melhorias técnicas ou mudanças mais profundas talvez sinta que o relançamento poderia ter ido um pouco além. De qualquer forma, essa sendo a maneira oficial de curtir a aventura, mesmo fora do serviço online e custando R$ 121,99, pode chamar sua atenção.

Pontos Positivos

  • A fidelidade absoluta ao material original garante que a experiência nostálgica seja preservada em cada menu, fala e mecânica da jornada por Kanto.
  • O nível de desafio exige uma atenção maior do jogador do que os títulos recentes, resgatando a necessidade de estratégia e treinamento para vencer os ginásios.
  • A inclusão das Sevii Islands como conteúdo pós-game expande a aventura de forma significativa e oferece horas extras de exploração recompensadora.
  • A integração oficial com o Pokémon HOME valoriza a captura dos Pokémon ao permitir que eles sejam levados para o ecossistema moderno da franquia.
  • O escopo focado nos 150 Pokémon originais torna a missão mais interessante.

Pontos Negativos

  • A ausência total de melhorias técnicas ignora o potencial do Switch 2 e do Switch ao entregar uma emulação básica que não aproveita o hardware atual.
  • A manutenção da proporção de tela do GBA resulta em barras laterais pretas que reduzem a imersão e evidenciam o aspecto datado da resolução original.
  • A venda de versões separadas por idioma na eShop sem suporte ao português brasileiro continua sendo uma barreira relevante para o público local.